MENU

28/12/2020 às 13h42min - Atualizada em 28/12/2020 às 13h42min

Triatleta é exemplo de vida e superação após perder as duas pernas

Da Redação

“Por mais que a gente passe por uma situação difícil, tenha um acidente ou aconteça algo, nunca desanime. Temos que seguir em frente e manter a cabeça erguida. Há males que vêm para o bem. Vivo uma vida muito melhor do que vivia antes com minhas duas pernas”.

Foi com essa declaração inspiradora que o triatleta Leonardo Mendonça, de 25 anos, encerrou a entrevista.

Aos 19 anos, quando trabalhava em uma fábrica de lajota na sua cidade natal, Laranja da Terra (na mesorregião central do ES, a 160km de Vitória), ele caiu dentro de um triturador de terra (maromba) e teve as duas pernas esmagadas acima do joelho.

Perdendo muito sangue, foi levado às pressas para um hospital em Afonso Cláudio e depois foi transferido para o São Lucas, em Vitória. Foram 73 dias internado, sendo um mês no CTI. Nesse período, a equipe médica tentou recuperar suas pernas, mas, diante da gravidade do acidente, precisou amputá-las.

“Sofri o acidente em 24 de novembro de 2014. Depois de um mês, amputaram primeiro a perna direita e depois a esquerda. Tive alta em 5 de fevereiro de 2015”, lembrou Leonardo.

Seis meses após a alta, ele colocou as próteses, conquistadas a partir de ajuda de familiares e amigos e também de rifas. “Foi tranquilo e me adaptei com um mês. Andava muito bem”.

Pontapé no esporte

Foi aí que o esporte entrou de vez em sua vida. Até antes do acidente, gostava de jogar peladas em sua cidade e confessa que vivia uma vida sedentária. Impaciente de ficar parado em casa, pediu autorização para treinar jovens atletas de futebol. Fazia um trabalho voluntário e chamava os meninos para jogar. Até que foi convidado para ser o treinador do time em uma competição estudantil.

Em 2016, enquanto assistia às Paralimpíadas do Rio, em 2016, ele teve vontade de fazer algo pessoal. “Achei muito louco e ficava entusiasmado como os atletas conseguiam fazer aqueles esportes. Fui fazer uma revisão da prótese em Vitória e aproveitei para fazer um teste de natação no Clube Álvares Cabral, que oferecia esporte paralímpico. Eles gostaram e viram que eu tinha potencial. Na época, tinha 21 anos, uma idade boa para começar. Antes no teste, eu só nadava para sobreviver (risos). Comecei a nadar duas vezes por semana e voltava para a roça. Até que em janeiro de 2017 fui morar em Vitória”, recordou.

Triathlon

Mas ele queria ir além da natação. “Queria uma coisa mais intensa. Fui ver uma competição de triathlon em Camburi e achei muito doido. Falei com um primo meu que estava comigo que iria praticar aquilo. Liguei para a federação e falei que queria competir. Perguntaram se eu nadava e expliquei que nadava há três meses apenas. Eu tinha também uma bike que pesava 30kg. Na corrida, falei que dava uns piques de leve. Então disseram para eu ir. Dois meses depois estava participando e fiz a prova mais curta: 350 metros de natação, 10km de ciclismo e 2,5km de corrida”.

Sua força de vontade fez com que as portas se abrissem para ele. Teve reconhecimento do público e da mídia e também apoio de algumas empresas. Conseguiu uma lâmina de corrida de fibra de carbono, que custava R$ 55 mil, por R$ 17 mil. “A empresa tirou os custos e me deu esse desconto. Aí fiz um empréstimo no banco. Uso essa prótese para correr”.

Uma loja especializada em bicicleta ofereceu um desconto de 30% em uma bike própria para triathlon. “A bike custava R$ 5 mil. Aí consegui comprar por R$ 3,5 mil. Antes disso, estava usando uma bike emprestada de uma amiga para pedalar”.

Passou a receber a Bolsa Atleta da Secretaria de Esportes e Lazer do Espírito Santo (Sesport) e, há dois anos seguidos, é 3º lugar no ranking nacional em sua categoria (PTS3). A ajuda permitiu que competisse até fora do Estado, como em São Paulo, Brasília e Florianópolis. Era o único triatleta da categoria no Estado, até que motivou o amigo Marcos Vinícius a também praticar o triathlon.

Este ano, por conta da pandemia do coronavírus, só teve a oportunidade de participar de uma competição: o Triathlon do Corpo de Bombeiros, neste mês de dezembro, disputando a prova “Sprint” (750 metros de natação, 20 km de ciclismo e 5 km de corrida).

Leonardo contou que adaptou seus treinos à pandemia. “Acordava cedo para pedalar e correr. O esporte gera qualidade de vida e também faz parte de minha rotina”.

Trabalho

Atualmente, Leonardo trabalha como telefonista auxiliar de regulação médica no Samu 192. De agosto para setembro, antes de ajudar a fazer o inquérito sorológico da Covid-19, passou por um teste rápido, o qual apontou que ele já teve o vírus. No entanto, ficou assintomático. Sobre o trabalho, ele fala de uma feliz coincidência: “Fui socorrido pelo Samu e hoje trabalho no Samu”.

Corrida

Claro que não deixei de perguntar sobre a corrida. E ele foi taxativo: “Correr traz uma sensação de liberdade. Poder correr me faz acreditar ainda mais, pois muitos achavam que não seria possível. Já participei de algumas provas. Tinha a expectativa de disputar muitas corridas este ano, mas a pandemia cancelou tudo. Mas adoro correr”.

Parabéns, Leonardo! Sua história é um grande exemplo de superação, força de vontade e amor pelo esporte. Que sua trajetória sirva de motivação para muitas outras pessoas e sua vida inspire outras vidas a persistir e seguir sempre em frente! 

Que venham muitas outras histórias para contar neste espaço em 2021. Um feliz e esperançoso novo ano para todos nós! 

“Tudo posso naquele que me fortalece”


Fonte: Folha Vitória


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Sugestões
Atendimento
Precisa de ajuda? Fale conosco pelo Whatsapp