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04/02/2021 às 18h20min - Atualizada em 04/02/2021 às 18h20min

Após se recuperarem da covid-19 no Espírito Santo, pacientes retornam para Manaus

Evanderson Silva de Jesus, de 28 anos, e Afrânio Johnson Costa dos Anjos, de 51, ficaram internados durante 13 dias no hospital Jayme Santos Neves, na Serra

Da Redação
 

Dois pacientes de Manaus que vieram para o Espírito Santo receber tratamento contra a covid-19 tiveram alta nesta quarta-feira (3). Evanderson Silva de Jesus, de 28 anos, e Afrânio Johnson Costa dos Anjos, de 51, ficaram internados durante 13 dias no Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra. 

Eles chegaram ao estado no final de janeiro, junto com outros 34 pacientes da capital amazonense. A vinda deles ao Espírito Santo ocorreu devido à grave crise sanitária em Manaus, que registrou falta de oxigênio e leitos para os pacientes.

Após deixarem o hospital, os dois seguiram para o aeroporto de Vitória, onde embarcaram, por volta das 19h35, em um voo comercial, pago pelo governo do Amazonas, com destino ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Da capital paulista, eles seguem para Manaus, onde devem chegar por volta de 1h20 de quinta-feira (4).

Uma curiosidade é que, quando vieram para o Espírito Santo, para receber o tratamento contra a covid-19, Evanderson e Afrânio também viajaram um do lado do outro, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Antes do embarque, eles tiraram uma selfie e enviaram para a produção da TV Vitória/Record TV.

Entretanto, antes de chegarem ao Espírito Santo, os dois sequer se conheciam. Em comum, tinham apenas os sintomas do novo coronavírus — principalmente a falta de ar. "Imagina você tirar um peixe da água e deixá-lo fora, se batendo. Era assim que a gente se sentia. Era como se tivesse sufocando, o ar passando e você não conseguindo captar", relatou Afrânio.

Agora, os dois conterrâneos compartilham da mesma história: venceram a covid-19. "É como se eu tivesse nascido de novo. Então, eu quero estar, neste momento, com a minha família, com as pessoas que eu amo", afirmou Evanderson.

Foram menos de duas semanas no Espírito Santo. No entanto, para os dois pacientes, foi um período inesquecível. Em solo capixaba, eles tiveram a chance de voltar a respirar. Primeiro, com a ajuda do hospital e, agora, sozinhos.

"Tivemos esse convite maravilhoso, que, a princípio, eu não tinha aceitado. Mas vi logo que era uma forma de eu salvar minha vida e, ao mesmo tempo, salvar a vida da minha mãe, porque ela não saía de dentro do hospital e corria risco de pegar covid a qualquer momento", contou Afrânio.

Após tantos dias distante da família, agora a ansiedade é pelo reencontro. E, quem sabe, no futuro, retornar ao Espírito Santo, só que para conhecer melhor o estado que tão bem os acolheu. "Só tenho a agradecer ao povo capixaba, a todos os funcionários, médicos. Eu realmente não esperava. Agora o povo capixaba está no meu coração, nunca vou esquecer. E pretendo voltar para conhecer realmente a cidade", disse Evanderson.

Afrânio, Evanderson e os demais pacientes transferidos do Amazonas para o Espírito Santo precisaram de internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) assim que chegaram em solo capixaba. Três pacientes, que estavam em estado grave, não resistiram ao tratamento e morreram. Os outros 31 continuam internados.

"Nós temos, neste momento, além dos dois de alta, 17 pacientes num estado clínico muito mais tranquilo. Estão já em enfermaria, alguns já em processo de realização dos exames para uma possível alta em breve. E os outros pacientes estão ainda em UTI, ainda recebendo cuidados intensivos", ressaltou a diretora clínica do hospital Jayme Santos Neves, Juliana Tavares, na tarde desta quarta-feira. Entretanto, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) atualizou a situação desses pacientes. Oito seguem em UTI e 23 estão em enfermaria.

Governador e secretário

A saída de Evanderson e Afrânio aconteceu após ambos apresentarem dois testes negativos de RT-PCR, para evitar qualquer dúvida quanto à disseminação do vírus. O diretor-geral do hospital Jayme Santos Neves, Rogério Griffo, explicou que a apresentação dos dois exames negativos é necessária devido ao translado para Manaus. “Alguns pacientes possuem condições clínicas de alta, mas devido à viagem para o estado natal é necessário a negativação do RT-PCR. Isso significa que eles não estão em condições de transmitir a doença”, disse.

A saída dos pacientes do hospital foi acompanhada pelo governador Renato Casagrande e pelo secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes. O governador contou que recebeu uma carta de agradecimento de Afrânio. Em um dos trechos, ele diz: "agora sou manauara de nascimento e capixaba de coração e espírito".

“Muito bom estar participando da alta dos dois primeiros pacientes de Manaus. Recebi uma carta do Afrânio me agradecendo e também a todos que trabalham no hospital e a todos os capixabas pelo acolhimento, solidariedade e mensagens de carinho e apoio. O capixaba tem o espírito solidário e é muito bom saber que o Estado ajudou a salvar a vida dessas pessoas. Infelizmente nem todos são salvos, mas não faltam leitos ou atendimento aqui no Espírito Santo”, afirmou.

Já Nésio Fernandes destacou a importância do acolhimento concedido aos pacientes e a alegria de poder comemorar a cura dos mesmos. “Nós respondemos um chamado nacional, ofertamos a possibilidade de acolher em nosso sistema de saúde esses pacientes que estavam sem oxigênio e sem acesso ao serviço adequado. Entendemos que foi um gesto correto, adequado e nobre do povo capixaba, expressado muito bem pelo governador Casagrande. Estar com esses pacientes na alta e ouvir deles toda a experiência vivida em Manaus e depois o acolhimento no nosso Estado, é importante para poder construir a história em meio a pandemia”, pontuou o secretário.


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