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23/09/2020 às 08h55min - Atualizada em 23/09/2020 às 08h55min

Nova fase da Lava Jato investiga se fornecedora da Petrobras pagou US$ 40 milhões em propina por contrato de US$ 2,7 bilhões

Vinte e cinco mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos, nesta quarta-feira (23), no Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe. Não há ordens de prisão expedidas.

A Polícia Federal (PF) cumpre 25 mandados de busca e apreensão referentes a 75ª fase da Operação Lava Jato, na manhã desta quarta-feira (23) no Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe. Não há ordens de prisão expedidas.

A atual fase investiga se a empresa de navegação marítima Sapura, no Brasil, pagou US$ 40 milhões em propina por contrato de US$ 2,7 bilhões envolvendo contratos firmados com a Petrobras para o fornecimento de três navios lançadores de linha.

Esses navios são chamados de PLSVs e são criados para atuar em alto-mar, em águas com profundidade de até 3 mil metros.

Para a construção e o posterior uso em regime de afretamento dos navios por oito anos, os contratos totalizaram o valor bilionário, segundo o Ministério Público Federal (MPF). Os crimes investigados são corrupção e lavagem de dinheiro.

Conforme as investigações, os contratos foram celebrados pela diretoria de exploração e produção da Petrobras e há indícios de que Sapura contratou intermediários e operadores financeiros que, mediante o pagamento da propina, eram responsáveis por viabilizar a inclusão da empresa em certame da Petrobras e obter informações privilegiadas de dentro da estatal .

Após receberem seus pagamentos em contas bancárias mantidas em nome de offshores, os operadores transferiram parte dos valores a dois altos executivos da Sapura, um então vinculado à Sapura no Brasil e outro à Sapura Energy, sediada na Malásia, ainda conforme o MPF.

Os procuradores afirmam que os valores repassados aos operadores circularam por diversas contas mantidas em nome de offshores em, pelo menos, seis países diferentes.

Além disso, também foram identificadas suspeitas de que a atuação ilícita dos investigados tenha abrangido outros contratos da Petrobras, também em favor dos interesses do Grupo Seadrill, segundo o MPF.

Segundo apurado, os valores repassados aos operadores financeiros circularam por diversas contas mantidas em nome de offshores, tendo sido identificadas contas controladas pelos investigados em, pelo menos, seis países diferentes.

Os fatos vieram à tona, ainda conforme a PF, após depoimentos de colaboração premiada de lobistas que atuavam junto a funcionários da Petrobras e agentes políticos com influência na estatal. A operação foi batizada de Boeman.

Paralelamente às investigações, através de uma ajuda jurídica internacional, a Polícia Federal obteve informações de que autoridades holandesas também conduziam investigações de fatos envolvendo os atos ilícitos para o fornecimento dos navios lançadores de linha.

Conforme a PF, as empresas estrangeiras vencedoras da licitação, posteriormente, subcontrataram uma companhia holandesa para execução do serviço licitado, a qual era representada por um dos empresários brasileiros investigado, e que, em virtude dos acertos espúrios, também realizou pagamentos ilícitos aos envolvidos.


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