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29/06/2020 às 13h01min - Atualizada em 29/06/2020 às 13h01min

Porque o ‘COE’ é um péssimo investimento

Da Redação
Um dos produtos de investimento mais comercializados atualmente no mercado financeiro, o COE é uma sigla para Certificado de Operações Estruturadas.

Esse é um produto de investimento mistura renda fixa e renda variável (um “envelope” com ativos distintos) em apenas um produto e que transmite sofisticação e sensação de segurança para o investidor. No entanto, identificamos que o COE gera conflito de interesses entre os assessores de investimentos e os clientes, dado que é um dos produtos que mais paga corretagem no mercado — sua corretagem para assessores de investimentos pode chegar a até 10x a média. Consultamos especialistas de diferentes instituições financeiras para entender sobre o assunto.

 

Com altas comissões, COE gera conflito de interesses
COMISSÕES GORDAS 

O COE oferece comissões particularmente altas pois existe uma grande diferença entre o custo da corretora estruturar a operação e o valor pelo qual o COE é repassado para os clientes– isso é chamado de spread.

E dado que as comissões dos assessores são proporcionais ao spread, quanto maior essa diferença, maior a comissão. Um assessor de investimentos consultado pela coluna informou que a comissão varia entre 2,5% e 5%, pagos no ato do investimento — comissão que pode chegar a até 10x a média das comissões encontradas no mercado.

PERDA LIMITADA– E GANHO TAMBÉM
E os problemas que o investidor de COE podem ter são muitos. Segundo a Modalmais, cerca de 94% dos COEs comercializados no Brasil são da categoria de "Valor Nominal Protegido", com garantia de que, ao final do prazo, o investidor terá, no mínimo, o capital investido de volta.

Mas para isso, ele paga o preço de ter uma rentabilidade limitada, ou seja, mesmo que um ativo que compõe o COE se valorize muito, seu ganho é limitado– e o restante vai para a instituição financeira.

BAIXA LIQUIDEZ
Além disso, o COE é um ativo com baixa liquidez, isto é, é difícil ter o dinheiro na mão caso o investidor precise. Nas principais corretoras, o COE tem um prazo médio de 3 a 5 anos, raramente menor que isso.

E se o investidor realmente precisar fazer o resgate de forma antecipada, é bem provável que acabe registrando perda permanente de capital.

Assim cabe a pergunta: os COEs estão sendo oferecidos porque são a melhor opção para os clientes ou porque remuneram melhor assessores e instituições financeiras?

‘MOER O CLIENTE’
Nem todo COE é um produto do investimento ruim em si. No entanto, muitas vezes ele é vendido pelos agentes autônomos para os investidores de forma descoordenada com o perfil de risco e o objetivo de investimento do cliente.

“Na dúvida, assessores inexperientes empurram COEs para o cliente para além do ideal, na certeza de que a remuneração do assessor é muito mais alta e que, no fim do prazo de 5 anos, o cliente não deve reclamar porque, em teoria, ‘não perdeu dinheiro’. Esse processo é chamado de ‘moer’ o cliente”, disse um dos especialistas consultados pela coluna, que preferiu não ser identificado.

Vale lembrar que na conta do “não perder dinheiro” no prazo de 5 anos devemos incluir o custo de oportunidade (‘trade-off’) de ativos livre de risco como por exemplo títulos do Tesouro Direto atrelados à taxa Selic (hoje a 2,25% ao ano), ou mesmo à Inflação (IPCA+).

Assessores de diferentes instituições financeiras consultados informam que chegam a receber clientes com carteiras com até 50% de concentração em COEs, o que é pouco razoável sob a perspectiva de diversificação de carteiras de investimento.

Apesar das novas plataformas de investimentos se posicionarem de forma mais alinhada com o interesse dos clientes que as instituições bancárias tradicionais, ainda existem produtos que colocam o agente autônomo e o cliente em conflito de interesses.

Não é sensato que um lado fale mal de títulos de capitalização enquanto empurra os caros COEs para seus clientes.


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